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Diário de Lisboa 1986 - Exposição Individual – Galeria Ana Isabel, Lisboa
Diário de Lisboa, Março 1986, texto de Porfírio Alves Pires.

Outra ordem não seria possível ...
Teresa Magalhães
Galeria Ana Isabel. Rua da Emenda. 111-1º, 2ª a sábado, 14.30-19.30


As cores são intensas, grande a densidade cromática e arriscadas certas vizinhanças, mas o que sobressai é o modo como o espaço da tela vibra na aparente desordem que a ocupa. Os movimentos do gesto, num vai e vem curto, ocupam um espaço pequeno e dão a impressão dum tempo breve; param cingidos numa forma indefinida, ocupados por uma cor declarada. Recomeçam mais além. Pensativos, hesitantes, em requebros caligráficos e alongam-se libertos em movimentos filtrantes e acabam-se numa linearidade apaziguada, só aparência, que no outro canto da tela o espaço espera (ou solicita) o gesto e a cor que venham imprimir outro sinal.
A pintura de Teresa Magalhães é feita de sinais que encontram justificação nas relações que entre si estabelecem, muito mais que cada um per si.


A cor é utilizada como contraste, a forma como diferença e a superfície como espaço gravitacional. Os sinais apresentam-se soltos e individualizados, mas sentimos bem que um misterioso destino os une e Ihes dá a sua forma e posição relativa. Sentimos que tudo está perfeitamente definido e que outra ordem não seria possível. Forças dinâmicas seguram, inflectem e determinam a organização destes espaços, mesmo quando subitamente ganham o peso de grandes manchas de cor que dominam a superfície. Aí o branco, a cor branca ganha intensidade e requebros de luz, e as manchas cobrem-se de matéria espessa. Então, a componente essencial desta pintura mostra-se declaradamente: é de luz que se trata, mesmo se por lá anda a cor. Mesmo se por lá andam as formas, é de luz que se trata. A luminosidade que se desprende das telas é notável e, de facto, é ela que rege este mundo flutuante, é ela, em grande parte, que gera as relações entre os signos figurados e dá dimensão aos espaços.

 


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