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Exposição “ NO ATELIER ” - Museu de Arpad Szenes – Vieira da Silva - 2015






Tendo iniciado a sua obra no final dos anos de 1960, no campo do que se designou como neo-figuração (componente da figuração pós-Pop), Teresa Magalhães desenvolveu, ao longo das décadas seguintes, experiências de alguma radicalidade dentro da abstracção gestual. Porém, nos trabalhos mais recentes, a artista tem demonstrado continuada vontade de regresso à figuração. Esse regresso tem-no realizado de modo global: retomando não apenas a linguagem figurativa mas regressando, muitas vezes, às próprias imagens produzidas no passado ou aos ambientes reais (aos espaços) onde as produziu – verdadeira operação de rememoração e balanço de vida e obra. Desses trabalhos da última década esta série é a que, de modo mais claro, concretiza o seu programa de regresso à linguagem figurativa, de representação do real através de uma selecção de fragmentos do quotidiano individual e colectivo, urbano e doméstico. Teresa Magalhães, todavia, mantém-se agora (como nos anos 60) fora do glamour ou estilização gráfica da Pop art , antes assumindo o real como dimensão mais incompleta que fragmentada, mais melancólica que eufórica. A artista não hesita em mostrar-nos o que o uso envelheceu, o que o gosto declarou kitsch, as coisas que guardamos apenas porque lhes colamos uma memória sentimental que impede que as deitemos fora... Somos, por este método, colocados perante um verdadeiro Diário. Mas é um Diário sem dias, sem horas, sem palavras... É feito apenas de imagens instantâneas do passado mas nós sabemos que as imagens guardam universos de palavras, expressão de universos de memórias individuais e colectivas. Os segredos dessas imagens e da relação de cada objecto com a artista (verdadeiros exercícios de flash back) nunca os teremos, mesmo que ela nos descreva a genealogia de cada peça e a razão da sua posse e da sua presença. Podemos talvez tentar começar a construir os nossos segredos a partir desses objectos alheios. O Museu ajuda-nos nesse exercício de apropriação trazendo-os do Atelier da artista até nós. Na exposição, perante uma cenografia que acentua os aspectos "realistas" da encenação que sempre é um Atelier criamos um movimento de vai e vem entre as pinturas e o real nelas representado, entre a memória construída e sedimentada da artista e a ficção de uma memória que podemos nós também começar a construir.

João Pinharanda Lisboa, 17/7/016

"NO ATELIER" EXPOSIÇÃO DE TERESA MAGALHÃES
“No atelier” é o nome da exposição da pintora Teresa Magalhães para ver no Museu Arpad Szenes – Vieira da Silva, em Lisboa, até 31 de janeiro. Com curadoria de João Pinharanda, a exposição é constituída por 27 obras de técnica mista que recriam o atelier da artista, transmitindo ao visitante a sensação de estar a percorrer um atelier privado, um espaço íntimo de criação e de isolamento. Neste percurso, alguns dos objetos pessoais presentes em colagem fotográfica nas pinturas de Teresa Magalhães acentuam este diálogo entre as obras e o real. As características de um espaço de atelier com os objetos pessoais da artista reencenam esta ideia de intimidade e misturam a própria obra com o registo da sua memória. Esta exposição é produzida em parceria com a Fundação EDP que é Mecenas Principal da programação da Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, reforçando a sua atuação como um dos principais mecenas das artes em Portugal.

Objetos / Temas das Pinturas ” NO ATELIER ” no Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva:



 


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