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Entrevista com Inês Pedrosa, Jornal de Letras, edição de 12 a 18 de Fevereiro de 1985
TERESA MAGALHÃES: FUGINDO AO GESTO HABITUAL


Teresa sobe e desce e volta a subir, senta-se e levanta-se, sorri e descontrai-se, dócil ao furor da objectiva. Quer o repórter fotográfico que escolha o seu preferido, mas ela, mãe fiel, não quer “Olhe, aquele foi feito expressamente para a Homenagem ao Almada Negreiros, mas deu-se uma coisa engraçada, foi recusado... ”
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Nasceu no Chiado, viveu sempre por cá, Mas gosta de viajar, viaja tudo o que pode. “sinto-me bem em Paris. Em Nova Iorque não. Há aí um sentido de medo, as pessoas sentem que a cada momento pode acontecer uma catástrofe. Um homem de helicóptero aos tiros, qualquer coisa assim. Até já há concursos de televisão do género ‘Descubra o perfil do violador'. Não há crianças a brincar na rua. Depois está tudo concentrado naquela ilha, tudo cresce para cima, em grandes edifícios. É quase uma fatalidade viver-se assim, sem contacto. Mas acontecem lá coisas Importantes em relação à Arte. Eles têm multo dinheiro, Investem-no em Arte e fazem dela uma fonte de receita. Só aqui é que se tem a ideia de que a cultura dá prejuízo...”.
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Filmes
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Em 1982, Teresa chamou a dezoito quadros seus “Memória do Cinema”. Truffaut, Godard, Scorcese, Bertolucci, Duras...” Eram filmes com uma cor multo especial. Era uma poética, uma ambiência. Não gosto tanto dos filmes de agora. Não são tão fortes.... “
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Ela gosta, ela gostaria “que a pintura portuguesa fosse vista noutros países”. "Bem o merece" Não gosta, simples: “de me chatear. Para mim agora, o mais importante é fazer só o que me apetece. As pessoas deviam lutar para que isso lhes acontecesse, mas habituaram-se ao contrário... Se calhar é mais cómodo não ter prazer”. Com p pequeno. “O prazer de estar numa esplanada, por exemplo. As mesas desaparecem, ninguém se queixa. Perde-se o encontro ocasional, tem sempre que se combinar uma hora. São pequenas felicidades, estas, e ninguém dá conta...” Teresa não é de se zangar com a vida, é de dizer em tom de constatação que “em pintura como em tudo, exige-se sempre multo mais à mulher do que ao homem”; não é de entrar em derrapagem, é de procurar soluções. Não há preto nestas telas. Há colagens, muitas, "são um discurso sobre outro discurso. Quando se fala também é assim; há coisas que se acentuam... “

Podia ficar em frente de cada Quadro a conversar sobre o que eles lhe são. Não se retrai; retira-se. para que os olhos dos que amarem possam encetar diálogos novos. Confia nas pessoas que adoptam essas criações suas. ”Além disso, o facto de aquela peça ir para outro sítio, pode até vir, de qualquer forma, a alterar a minha vida, a alterar-me a mim. Não forço as coisas, mas também não gosto de as perder, se é que me Interessam. Ri-se, sorri, brilha: "desde os tempos das Belas-Artes percebi que não devia ligar ao que me diziam. Entrava quando os professores saíam e vice-versa. Havia assim este Jogo, olhe, para não me chatear...”

 


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