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Texto do catálogo – Exposição Individual – Galeria Nasoni, Março de 1994 Porto/Junho de 1994 Lisboa
Laureano Silveira

“ Manifestações do Espírito

  (...) Falo de uma estirpe de artistas que persegue sem descanso uma poética, isto é, uma energia geradora de formas e conteúdos, geradoras de formas que são, imediatamente, conteúdos. Formas com capacidade simbólica. E é aí que coloco Teresa Magalhães e a sua pintura. (...)


Ora, o que está dentro destas formas, o sentido profundo e profundamente simbólico de uma interioridade que é exterior delas, é o próprio ser da artista e é por essa razão que estas representações, marcadamente abstractas, tão radicalmente abstractas que, nesse serem abstractas, são concretas ( porque são pura linha, pura cor e alternância de movimento e pausa ), nos remetem violentamente, apaixonadamente, emocionadamente, para um universo de marginalidade infantil, para uma dimensão de fábula e deserto onde a perdição é o encontro, onde a desordem é a ordem, onde o caos é uma visão do mundo feita de perplexidade, medo, alegria, paixão, dor...


Assim, onde a figuração é não-humana, tudo parece nascer desse ímpeto de criação que apenas o homem pode reivindicar e subscrever e aquilo que parecia ser ininteligível expõe-se como ideografia e ideogramática do espírito.


É nesta atmosfera que as cores libertam sons, deixando-nos a pintora face a um punhado de quadros desconcertantes e perturbadores, na superfície dos quais o nosso sentido de harmonia, de organização e de silêncio, a visão e a audição tranquilas do que pensamos ser o mundo, começam já a contemplar-nos de dentro, dessa interioridade que é exterior, onde, afinal, estivemos sempre.”

 


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