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Texto do catálogo - Exposição Individual – Galeria Nasoni, Fevereiro de 1990, Lisboa
Pintor Fernando de Azevedo


“ Gestos, sinais, cor e terra foram já, vão agora fazer precisamente dez anos, palavras - chave de outra pintura de Teresa Magalhães. (...).


Nestes anos decorridos, Teresa Magalhães tem conseguido estabelecer, como poucos pintores entre nós, esse pacto difícil entre o ponto de partida e a liberdade que ele sugere. Razão porque também de pouca pintura portuguesa me lembro capaz de tão menor constrangimento. Não se trata, creio, do à – vontade da época – vou por aqui ou vou por ali – o que importa é fazer; nada disso. Trata-se, antes, da consciência do seu exercício. E a liberdade, porque custa, custa a vida por vezes, não se dá com gente leviana, a que parece possuí-la, não se mostra boiando sem motivo à superfície da vida; não é com qualquer mão que se pinta. O acto livre será assim, como em Teresa Magalhães mostra ser, deixar-se embeber de tudo e sagrar, maravilhada e livremente, o próprio gesto. Como coisa natural também. Deixar-se embalar numa desvairada desordem que, pela sua espectacular fruição se organiza e a si mesma se ordena. É uma pintura realizada sobre o solo, horizontalmente, onde todas as direcções são possíveis e caminháveis, que se ergue depois na vertical para o espaço, porque só no espaço de facto existe e se sustém como uma constelação. (...)


Lembrar-se de tudo, munir-se de todas as coisas possíveis, as que existem e as que são sonhadas, mas fazendo-o de uma forma tal, tão desprendida ao mesmo tempo já, que, depois, delas, do vivido e do sonhado, só a pintura se lembre. (...)


Com este desenho, que irrompe necessário e a tempo exacto de uma pintura lindíssima, sempre, que avançou por dentro de si própria, Teresa Magalhães esboça uma outra intensidade da sua percepção do real ou quase adivinhação que tem do quotidiano, do dia-a-dia simples, da sensibilidade à vida. E deslumbra. Não há outra palavra.”
 


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