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Texto do catálogo - "Sequências para um teatro de gestos" - Exposição Individual - Galeria Valbom

Há uma pintura nesta exposição que melhor esclarece o procedimento pictórico de Teresa Magalhães. É uma pintura em que a cor, o amarelo, avança de modo irregular dos lados visíveis e alteados da grade para o suporte, sem cobrir a superfície branca deste, tornando-a visível assim como as três formas nela coladas de modo aleatório.

Pintar para Teresa Magalhães começa então por ser a necessidade vital de vencer a superfície vazia da tela. Essa ocupação espontânea, obsessiva e vertiginosa do suporte tem inequívoca relação directa com o corpo. Trata-se aqui de um corpo concreto e não idealizado, facto logo expresso na natureza física própria da colagem, apenas perceptível quando o espectador aproxime o seu corpo da tela.

Aquilo que Teresa Magalhães cola na tela são vestígios de pulsões do corpo, de um corpo fractal que deixa fluir a sua fragilidade e instabilidade. O registo de uma grande velocidade de transformação, de concentração e de alternância entre os diversíssimos motivos e caracteres pictóricos, numa fluência heracliteana, que envolve a totalidade vivencial e sensorial do corpo.

Daí que a pintura de Teresa Magalhães assimile plasticamente vários aspectos da gestualidade quotidiana, mesmo se triviais, mediante o estabelecimento de ligações de um gesto a outro, o prolongamento pela variação, sobreposições e/ ou justaposições de acções e de gestos, repetições, transformações, variações e retornos, ora em efeitos duma Alegria polifónica ora em efeitos duma melancolia intimista de câmara.

Colando na tela ou agindo directamente sobre ela, a inscrição pictórica de Teresa Magalhães envolve em simultâneo duas instâncias inerentes a um teatro de gestos: a sequencialidade e a espacialidade.

Pintando sobre tela ou sobre papel, em formatos diversos, Teresa Magalhães cria uma espacialidade instável e invasora, um sítio-de-pintura, que pode ser reinstalado no próprio espaço expositivo, através da disposição das peças em falso puzzle, como se cenário de um teatro de acção. E esta exteriorização de sinais, própria de um teatro de gestos, é concretizada pela sequencialidade de movimentos, formas, cores, vibrações, atitudes e sinais organizados no espaço pictórico, que assim é uma poesia do espaço.

ANTÓNIO RODRIGUES         

Lisboa, 8 de Janeiro de 2007

 


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