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Artigo de Leonor Nazaré no catálogo da Exposição "LABIRINTOS / ROADS TO WHATEVER" - 2011
Colagem [meio]
Tinta acrílica [meio]
167 cm Altura
30 cm Altura [base]
85 cm Largura [base]
90 cm Largura
1 cm Largura
4 cm Profundidade [base]




Fundação Calouste Gulbenkian,  2011,  Lisboa

Teresa  Magalhães  (1944)
Sem  Título 1971

Obra realizada em 1971, Sem Título inscreve-se num ciclo de trabalhos figurativos, de herança pop, que Teresa Magalhães concebeu durante um breve período da sua carreira, antes de enveredar por pesquisas sinaléticas e cromáticas de sentido diverso.
É uma peça cativante, pelo colorido como pela imagem de um idílio amoroso em suspenso no espaço: um casal, caminhando abraçado, parece seguir o seu destino comum, alheio ao olhar da artista (e do espectador). As referências ocultas à fisionomia permitem-nos devanear sobre a identidade real dos protagonistas, enquanto o cuidado evidenciado na representação do vestuário, a atenção prestada aos detalhes (botas altas, mala, boné, casaco, blusão com um sorvete desenhado...) e à dinâmica do movimento sugerem uma juventude emancipada (é a mulher que enlaça o homem, e ambos se situam num mesmo plano virtual de acção), independente e atenta aos valores temporais da moda, às tendências de estilo de uma época pretérita.
Sem Título foi apresentada à 1ª Bienal Nacional dos Artistas Novos, organizada pela Fundação Cupertino de Miranda, em 1972. É uma obra de dupla face, concebida à semelhança de um painel de sinalização móvel, composta, na frente, por pintura e papéis colados sobre platex recortado e  engastado numa base com duas hastes de metal. As texturas dos papéis colados concorrem para adensar os efeitos plásticos da matéria e dos tecidos simulados, bem como da sensualidade e do movimento que emanam das figuras. Mas o carácter plano e simultaneamente rígido do suporte contribui para desrealizar a cena, reduzindo as personagens ao estatuto de marionetas, semelhantes aos bonecos de papel da infância, actores de um teatro imaginário.

Leonor Nazaré

Dating from 1971, Untitled is parto of a cycle of figurative works, inspired in pop, that Teresa Magalhães conceived during a short period of her career, before opting for signal and chromatic research of various meanings. It is a captivating piece, thanks to its colours and to the image of an amours idyll hanging in space: a couple, walking in an embrace, seems to follow its common path, unaware of the artist’s (and the viewer’s) gaze. Hidden references to physiognomy enable us to wonder on the real identity of  the subjects, while the care that evidently went into the depiction of clothes and details (knee-high boots, purse, hat, jacket with an ice cream motif, coat...) and to the dynamic movement suggest independent, emancipated youth (it is the woman who embraces the man, and both are placed in a same virtual action level), watchful of the temporary values of fashion, to the style trends of bygone era.
Untitled was presented to the 1er National Bienal of  New Artists, organised by the Cupertino de Miranda Foundation, in 1972. It is a double-face artwork, conceived at the image of a moveable signage panel, featuring, on the front, painting and pasted papers on cut platex and held on a base of two metal rods. The textures of the pasted papers compete to thicken the visual effects of the material, and of the simulated cloth, as well as of the sensuality ando of the movement that emanate from the figures. But the simultneously flat and rigid character of the media contributes to remove this scene from a reality, reducing the characters to the condition of puppets, similar to childhood’s paper dolls, the actors of an imaginary play.

 


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