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Entrevista de Maria João Seixas no "Jornal Público" - 2007

ENTREVISTA  //   Texto  Maria  João  Seixas   Fotografia  Luís  Ramos

CONVERSA  COM  VISTA  PARA...   TERESA  MAGALHÃES

EM  PORTUGAL, TUDO  É  MUITO  APERTADINHO,  PARECE  QUE ANDAMOS  COM  UM  COLETE.  COMO  SE  O  PAÍS  FIZESSE  QUESTÃO  EM  TRAVAR  A  CRIAÇÃO
                                            

Sabia-a muito premiada, bem representada em colecções particulares e institucionais de prestígio, visitei algumas exposições individuais, e muitas vezes em casa de um amigo, eu repousei o olhar frente a duas telas suas. Mas aconteceu nunca nos termos cruzado.
Recebeu-me na sala grande, quase em penumbra, de uma casa antiga no Chiado, forrada a memórias. Uma manifestação ruidosa, na praça vizinha, não chegou a perturbar o nosso encontro e conversa. Como se fosse a hora do chá, Teresa Magalhães anfitriã de excelência, acolheu-me como uma amiga e o gravador encostou-se a uma bandeja com refrescos e doçarias. Não hesita nas respostas franze a cara, oscila entre fechar e abrir muito os olhos (emoldurados a um risco azul) mexe o corpo, as mãos, a cabeça, as pernas, enquanto fala, não fora eu desentender a direcção exacta das suas palavras e do sentido que lhe quis dar. Para minha surpresa e contentamento, ri do que diz, como ainda outra forma de sublinhar a convicção do seu discurso.
A exposição que se pode ver na Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA) é reveladora da dimensão multifacetada da pintora: as telas expostas, entre as quais algumas se entreteceram numa espécie de instalação gigantesca em forma de político totémico: os textos do catálogo, de autores não ligados ao universo das artes plásticas e convidados expressamente pela pintora, no papel que assumiu (em desespero de causa, longa e lenta) de comissariar a sua própria mostra; o ciclo de filmes que inspiraram alguns dos seus quadros (expostos em 1982 na Galeria Ana Isabel), que poderá ser visto, como uma extensão derramada da SNBA, nos cinemas King. Dá testemunho do que a move com uma naturalidade desarmante, sem pompa de qualquer espécie, embrulhando as palavras que escolhe com humor e desprendimento. O contraste entre o seu ar caloroso, familiar, e a determinação (tão firme quanto despretensiosa) que denuncia ao dizer quem é e o que faz, rasgou a penumbra






 


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